Vivo sem sentido enquanto espero pela luz branca no fundo do túnel, negro. Horas a pensar no que fiz, disse, poderia ter feito ou dito. Vultos de felicidade passageira, passada, que me abraçam num carinho gélido e macabro, numa história vã, estou só. Encruzilhadas de situações que levam apenas a ruas sem saída, paredes de betão que não deixam que oiças os meus gritos de desespero, que vejas o meu olhar de solidão, o meu corpo preso a ti, atraído por ti, inerte, envenenado pela tua memória. A incerteza que a tua voz voltará a soar nos meus ouvidos inquieta-me; a tua amizade, o teu sorriso, o teu olhar, o teu abraço… são drogas que o meu corpo exige, reivindica sem ter resposta, sem saber se algum dia a terá. Faço apenas o que resta fazer… esperar… A vida é um riacho sempre em movimento, o meu gelou em ti, por enquanto… Amo-te.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
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Pedro dos Santos
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1/15/2009 11:42:00 p.m.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
O comboio do tempo percorre as estações sujas e pérfidas com mentiras perdidas no chão, com uma rapidez palpitante e incessante. São carruagens carregadas de momentos vazios, de momentos perdidos, momentos imaginados mas nunca vividos. Passageiros sombrios que não vêem a luz do dia pelos vidros imundos de palavras vãs e pelas portas cerradas de esperanças escorregadias… são passageiros vazios, fantasmas num comboio perdido. Meses de sonhos que se perdem na sombra, meses de desejos que apodrecem à minha volta… acordar e sentir os teus braços à minha volta a aquecer-me nas noites frias quando não estás lá; todos aqueles momentos que vivi no meu subconsciente, em que te beijava e amava para depois acordar e estar só naquela cama gigante, sem o teu carinho a envolver-me por horas a fio. As lembranças dos momentos que não vivi contigo quando só a ti queria ver , fazem agora parte das carruagens do comboio do tempo… Um novo destino se aproxima… talvez consiga deixar este sentimento no passado e viver no presente outro que me apazigúe… Mas por enquanto… Amo-te.
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Pedro dos Santos
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1/06/2009 11:20:00 p.m.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
O sol que me aqueceu naquela noite arrefeceu nos dias que se seguiram, a neblina foi baixando e ficando mais intensa, cobrindo o olhar… obscurecendo os sentimentos. Os abraços que os teus lábios davam aos meus, abraços ardentes, apaixonados, sedentos de prazer, perderam-se no nevoeiro, gelaram, repudiaram-me. O sorriso que iluminava o meu dia-a-dia, por vê-lo em ti ou na minha memória, rasgou-se em mil e uma palavras de indiferença. Deixei de sentir o teu coração nos meus braços que outrora te prendiam e protegiam. Hoje estão nus, vazios, desertos. Quero acreditar que o destino está escrito mas pode ser emendado, que o que me mostras são ilusões do Fado… Vejo-te em todo o lado mesmo quando não estás, oiço-te sussurrar no meio da multidão, sinto-te comigo quando te afastas, beijo a tua alma a cada segundo que escorre por entre os dedos… Volta.
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Pedro dos Santos
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9/23/2008 09:57:00 p.m.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Arrependimento
Se arrependimento matasse… Morrerias. Morrerias pelos beijos longos e sentidos que trocamos, Pelos abraços apertados e únicos que se seguiram. Morrerias pelas lágrimas de dor do passado que deslizaram. Lágrimas que me aqueceram a alma e me fizeram ver que é a ti que quero, Morrerias pela união dos corpos num ritmo louco, lindo e sincero. Morrerias porque disseste que poderia ser teu um dia e um dia não o serei Arrependimento não mata… mas mostra que ao deixar-te partir… Errei.
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Pedro dos Santos
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9/18/2008 02:53:00 a.m.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Menino pequeno, só e abandonado Que me agarra a mão com fervor e dedicação Criança de rosto apaixonado Por um mundo de duas caras e ilusão Recebes doces que te conquistam E iluminam o olhar Para depois receberes coices que te despistam E te deixam sem saber em que acreditar Desliga a alma das luzes do mundo Que devoram a tua pureza Evita outro corte profundo Sê forte! Luta contra a tua natureza Não me largues a mão menino teimoso! Não espreites o que te rodeia Refugia-te no meu abraço zeloso Até seres Homem crescido e lutares pelo que o teu coração anseia.
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Pedro dos Santos
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5/22/2008 10:29:00 p.m.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Paredes brancas que me rodeiam sujas de escárnio e maldizer Telas frias e sem sentimentos, pálidas de mágoa e desprazer Oprimem, esmagam e matam sonhos e esperanças Aqueles porque lutas e nunca alcanças. Parasitas medonhos que te transformam numa mancha do asfalto Que te encorajam e te fazem crescer para te atirar lá do alto Te arrastam em jogos de prazer mundano ininterrupto Onde as paredes brancas e frias estão agora, por ti, negras e de luto.
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Pedro dos Santos
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5/21/2008 09:19:00 p.m.
O soalho chiava a cada passo inseguro, precipitado na ânsia de chegar até ti. Cada passo trazia consigo uma peça do puzzle da memória, um pouco de história, peças sem sentido que não se uniam, onde o sentimento de desejo e paixão não encaixava no de amizade, um puzzle perdido em toda a sua complexidade. Peguei em peças desnorteadas que pairavam na minha mente e olhei-as com atenção, como quem não as vê apenas as sente. Umas estampadas com pedras rudes mas belas, outras com jardins verdejantes e sombrios, braços entrelaçados, corpos unidos no nada. Distraí-me, o soalho quebrou debaixo do meu pé com um estrondo medonho, fiquei preso nestas memórias que me assolam. O ar húmido que me rodeia e invade gela-me a pele, estou vazio com pensamentos plenos de incerteza que me enfraquecem e me obscurecem o olhar, agora cinzento. O tempo troteia passando por mim enquanto me tento libertar e sangro… o soalho cede, o pé liberta-se e sigo cambaleando, tentando recompor-me de mais uma ferida aberta. Agora estou atento ao caminho que percorro e não tento juntar peças sem sentido, não quero meter-me em solos estranhos onde me posso magoar ou ficar completamento perdido.
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Pedro dos Santos
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5/21/2008 09:11:00 p.m.