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segunda-feira, 13 de agosto de 2007

The way I feel



Os dias passam-se de um modo alinhado e escorregadio… as lembranças atormentam mas a mente ocupada não deixa atravessar as portas da memória… talvez um espreitar esguio de vez em quando que me leva a outros mundos… onde a entrega foi total, onde vivia no medo dos outros mas sem medo por ti… admitia coisas para mim que nunca pensei possíveis, admiti-as a outros, não a todos; o mundo era de quem está perto e não de quem simplesmente quer saber.

As noites são as que me atormentam; o pano negro pousa sobre o meu mundo e eu espero… e espero… e espero… as horas correm desmedidas umas atrás das outras e eu olho em volta incapaz de dormir apenas… de esperar. Espero aquela mensagem que me dizia eufórico e esperançoso:” Estás a dormir…? Eles já se deitaram…”… corria porta fora, o som e a velocidade faziam-me perder num caminho memorizado… não vendo o percurso apenas imaginando o destino. Escapava para ti como uma criança que escapa para o seu local preferido… demorava segundos a fazer a viagem de mais de uma dezena de minutos. Quando entravas no carro aquele toque tímido e veloz… não era o nosso sitio… tínhamos de refugiar-nos em nós… era nosso de mais ninguém… sempre alerta no aberto, distraídos no “privado”…

“Olá” dizias esboçando um sorriso e levantando a sobrancelha esquerda… “Que quer esse gesto dizer?” perguntava eu, “É um gesto de cumplicidade”… depois perdia-me nos teus lábios… as tuas mãos percorriam o meu corpo… o sussurrar nos teus ouvidos provocavam um terramoto em ti, um descontrolo controlado… o teu pescoço era o ninho dos meus beijos, a tua boca a minha caixa de segredos. Cantava para ti… melodias no ar… a conjugação de tudo que eras para mim… o carnal não existia… o físico não existia… um só apenas uma pessoa…

Horas passavam á velocidade precipitada como a chuva num temporal… queria parar o relógio, estar contigo sempre, mais e mais. O tempo não perdoa… chegava a altura de partir. Sentia por uma última vez o teu coração que batia forte e ritmado como se do peito fosse saltar; segurava-o na minha mão, era meu.

Agora pouco tempo físico se passou, mas anos voaram no meu coração, Amo-te, de uma intensidade nunca sentida, numa angústia nunca vivida. O teu cheiro fugiu de mim, o teu toque desvaneceu-se, o teu gosto é agora amargo na minha boca. Já não trocamos segredos, já não deixo beijos no ninho que outrora era meu.

A hora aproxima-se e sinto o desejo de receber aquela mensagem que nunca virá.

Tenho de aprender com o tempo… O teu coração ainda bate forte mas não na minha mão… não por mim.