Tenho-te preso, acorrentado, amordaçado… tenho-te escondido e esfomeado… tenho-te envolvido em sentimentos negros, em muralhas de pedra fria… tenho-te mergulhado em ti, em pensamentos maus que não te dão esperança, em duras realidades que existem ou que crio para que a luz não brote em ti.
Vejo-te rodeado de espinhos… espinhos que apertam e que por vezes te fazem sangrar… Vejo-te ganhar força e começar a trepar do fosso onde te escondi… Vejo-te mergulhar de novo empurrado pela escuridão que me envolve.
Cheiro o teu medo, a tua angústia, a vontade de renascer… mas enveneno-te, não te deixo ver o que é, deturpo o que poderá ser e mato o que de real existe.
Não podes voltar a dominar, não podes voltar a ficar livre, robusto e fazer o que te diz o mundo e não a cabeça, deixar-te levar por momentos e deslizes… por toques que mostram algo que não é sentido.
Ainda vejo o verme que te corrói, e te bloqueia… o verme viscoso e nojento que atormenta cada dia de paz, cada noite de sossego… horas, minutos, segundos de fraqueza que o alimentam.
És meu, o meu coração… Quero-te livre, mas como eu quero. Não te deixes levar por palavras, não te deixes levar por emoções enganadoras… Não oiças histórias que te aquecem e te encarnam, te fazem jubilar e festejar. Pondera, Avalia e Age.
És gelo puro gelo. Não te derretas com incêndios… fogos de vista… Aguarda as brasas e deixa-te levar calmamente.
