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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

O Castelo






O castelo embrenhado na escuridão da história, aloja da natureza mais bela que possamos imaginar… pequenas lebres que correm velozmente pelos campos e esquilos esguios que atravessam a floresta num ápice recolhendo comida; animais rastejantes, esvoaçantes… todos em harmonia na sombra tépida das muralhas rígidas.



Mas o que os olhos vêem não é tudo o que existe…



Num dos quartos mais altos vivesse um efervescente caso de amor.



No sono profundo imagino-te com a pele morena, branca pela luz que banha cada centímetro do teu corpo… os teus lábios tombados sobre a minha pele sussurrando palavras incompreensíveis ao ouvido, inexplicáveis ao coração… o toque quente das tuas mãos que provoca arrepios em cada centímetro do meu corpo, tocando levemente em cada poro, que se relaxa e se entrega a cada respiração. Sinto os odores no ar que se misturam, as flores que balançadas pelo vento lançam a sua fragrância numa música campestre e os rancos das árvores que murmuram pedaços de história que ouvimos enquanto nos perdemos na imensidão de nós mesmos. Em suaves movimentos os corpos movem-se ao sabor da brisa que os orienta numa melodia inaudível. O calor que emanamos mistura-se com o frio da noite, deixando o ar tépido e convidativo. As nossas bocas encontram-se… trocam segredos que só a nós dizem respeito e que, sem mesmo sussurrar, penetram a nossa mente e abrigam-se no nosso coração. Separam-se as nossas confissões que exploram o esculpido corpo que se entrega…



O sono profundo e calmo começa a ser perturbado por sensações imperceptíveis… a respiração linear começa a trotear e a aparente calma de uma noite de Verão, agita-se a cada segundo… A noite avança… lenta e agradavelmente… o quarto vai ganhando vida a cada suspiro libertado.