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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Para ti…



Tudo começa de modo inesperado e como tudo na vida pode acabar tão inesperadamente como começou. A chuva que cai abençoou, traçou caminhos de tempo e de espaço momentos que se passaram e reinventaram, histórias que se contaram e escreveram marcando datas e locais, sentimentos, memórias e recordações. Crescemos lado a lado e vivemos tempestades de sentimentos, tormentos de discussões e paraísos de alegrias. Cumplicidade derretida numa bela mistura de amizade e amor que foram crescendo e evoluindo, confidências e apoios, o braço amigo que ali estava sempre e ainda está.


Meses de páginas descritas nas cores do arco-íris, em cores vivas de alegria e negras de tristeza, mas que é da vida sem um ponto de equilíbrio? Que são os bons momentos sem que um dia tenhamos vivido os maus? É preciso saber saborear a vida como ela merece. Choramos lágrimas de alegria e de tristeza, passamos por egoísmos e incompreensões até atingirmos um equilíbrio… Loucuras… recordas te das loucuras? Aqueles momentos românticos tão invulgares… "sentado na poltrona" ou apenas o tecno melódico que nos embalava na noite…


O inesperado de tudo, aquele "canto" onde tudo começou e onde se viveram momentos de paixão. Muitos altos e baixos sem dúvida, muitas alegrias e algumas desilusões mas acredita que estás aqui dentro, és um dos rasgos do meu coração, uma das memórias onde se apoia quando está triste. Hoje não és alguém que amo com aquele amor que arde e enlouquece, és aquela que amo pela pura amizade que transpiras e a preocupação que tens por mim.


Sei que estamos a quilómetros de distância ultimamente, que não nos vemos tanto, que não partilhamos tanto… mas nada mudou lembro-me de ti mas sabes como sou… As mensagens não correm porque adio mas não me esqueço, nunca.


Afinal a chama da paixão que derretia o chão e apagava a chuva não morreu, apenas se transformou, estamos unidos por algo mais forte, algo que não descrevo apenas sinto. A vida continua, espero que continuemos amigos por ela fora. Amo-te amiga.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Amor



Amor é fogo intenso e ardente fomentado pelas brasas da paixão
É loucura que corre nas veias e labirintos do coração,
São ilusões de momentos vividos, carnais, espirituais;
São ódios destilados, transformados e banais.
A Fénix renasce das cinzas vezes sem conta e de novo,
Amor que é amor não morre, arde mantendo a intensidade do seu fogo.
É química cientificamente explicada, hormonas combinadas em sequências desiguais,
É o corpo sedento de carne, do pedaço que lhe falta,
A sedução imensa num jogo sujo de tesão, é a mancha branca imaculada,
Na nódoa preta do que foi em vão.
É ânsia de significado, de perder a solidão,
E não o encontrar do que não está perdido como diz o poeta charlatão.
Amor com amor se paga, já dizia o povo inculto
O amor que destrói a alma e depois a transforma num vulto.
Mas o fogo que se mantém traz alegrias e prosperidade
É viver intensamente os dias que envelhecem como em tenra idade,
Agora aquele fogo que sofre, chora, corroendo e matando por dentro,
É ódio intenso e forte que te leva ao desalento.
Para quem se encontrou ou está perdido, o amor reserva apenas uma sorte,
Uma vida plena felicidade ou infortúnio e uma certeza dura como a morte.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Ponto de equilíbrio



Já experimentaste suster um rio com uma régua? Ou agarrar num furacão com um frasco de vidro?


Já tentas-te viver uma paixão sem desejo? Ou um amor sem entrega?


Já puseste a tua mão no fogo sabendo que te vais queimar? Mas não é essa a sensação que te fez por a mão em primeiro lugar?


Já sentiste dentro de ti uma força que não podes libertar?


Sabes o que pergunto? Pergunto se te seguras, se susténs o que sentes… Se agarras em ti o que arde por dentro, se te prendes e acorrentas, se como um insecto numa teia de aranha lutas para mostrar o que está preso mas sabes que não podes libertar…


Eu vivo á flor da pele… eu sinto furacões que me invadem, e saem poderosos pelo meu corpo, pela intensidade do meu gesto… eu transbordo, não vale a pena pôr barreiras eu deixo fluir o que me preenche. Eu ardo, sufoco, vivo… sim eu vivo… cada suspiro, cada beijo, cada sorriso… eu vibro.


Palavras… são projécteis que não controlo numa guerra constante, lançam-se ao alvo mais longínquo e acertam… certeiras… continuamente… certeiras…


Sou equilibrado, ponderado… sou de impulsos e irreflectido. Tenho dois gumes do mesmo lado… O que sinto é uma força em mim… o que exteriorizo é a minha alma, não me peças para conter, para moderar antes de agir…


Eu penso que… tudo pode ser feito, tudo pode ser dito… tudo tem um lado inverso… até o fogo mais belo que aquece um lar o pode destruir… até o rio que nos alimenta nos pode afogar… Não há meias medidas, por enquanto... Sou uma balança em busca de um ponto de equilíbrio.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Entre paredes de gelo



Porque olho sempre o passado? Porque não me sinto á vontade e preparado para falar do futuro? Será que todos temos uma sina traçada na ténue linha do destino? Apreciamos olhando para trás vendo o que já passou e não agarrando a braços largos avançando nas entrelinhas …


Coloco um filme numa antiga máquina de filmar, ligo a luz e deixo-o desenrolar… vejo o desfiar de imagens que num emaranhado de sensações descrevem passagens, sentimentos. De um clima tropical com palmeiras e praias luzidias, de areia branca e água límpida reluzente, onde os tempos eram calorosos e abertos… onde sentia um evoluir da natureza de um modo constante e ininterrupto… num tempo quente e afectuoso, um tempo de crescimento constante. Era o que via, o que sentia, o que esperava…


De repente num elevador de horas, segundos, competições entre destinos e desencontros de sentimentos, vemo-nos presos em patamares diferentes, em níveis desiguais… As escadas são pura imaginação, a escalada não existe, acredito em prados verdejantes e em relvados frescos e vivos… planos de evolução conjunta e sem limites. Esperava voltarmos para lá… para a recta atribulada, não obstante uma recta, sem escadas ou desníveis, com dificuldades e recuos… mas sempre lado a lado… mas não o fizemos… ou não o consigo ver!


O elevador deu um salto… gelou… bloqueou… enrijeceu… rodeado de icebergues e placas de gelo que me contorcem e me entristecem o olhar… o meu reflexo aprisionado no gelo vislumbra-me e tenta fazer-me entender mas não fala. Talvez seja a minha imaginação, talvez por não te ter visto depois daquele degrau que nos separou, talvez porque sou inseguro, por ter agora medo de falar demais, ou de não falar de todo… Medo de ser o que sempre fui e aprisionar-te num reflexo de gelo, calado.


"Vivir con miedo es vivir la vida por la mitad "… é justo, é verdadeiro, é sincero e muito honesto. Mas viver não temendo ficar sem o que nunca foi ou pode ser nosso, porque não somos de ninguém, é apenas ingénuo.