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domingo, 9 de dezembro de 2007

Ponto de equilíbrio



Já experimentaste suster um rio com uma régua? Ou agarrar num furacão com um frasco de vidro?


Já tentas-te viver uma paixão sem desejo? Ou um amor sem entrega?


Já puseste a tua mão no fogo sabendo que te vais queimar? Mas não é essa a sensação que te fez por a mão em primeiro lugar?


Já sentiste dentro de ti uma força que não podes libertar?


Sabes o que pergunto? Pergunto se te seguras, se susténs o que sentes… Se agarras em ti o que arde por dentro, se te prendes e acorrentas, se como um insecto numa teia de aranha lutas para mostrar o que está preso mas sabes que não podes libertar…


Eu vivo á flor da pele… eu sinto furacões que me invadem, e saem poderosos pelo meu corpo, pela intensidade do meu gesto… eu transbordo, não vale a pena pôr barreiras eu deixo fluir o que me preenche. Eu ardo, sufoco, vivo… sim eu vivo… cada suspiro, cada beijo, cada sorriso… eu vibro.


Palavras… são projécteis que não controlo numa guerra constante, lançam-se ao alvo mais longínquo e acertam… certeiras… continuamente… certeiras…


Sou equilibrado, ponderado… sou de impulsos e irreflectido. Tenho dois gumes do mesmo lado… O que sinto é uma força em mim… o que exteriorizo é a minha alma, não me peças para conter, para moderar antes de agir…


Eu penso que… tudo pode ser feito, tudo pode ser dito… tudo tem um lado inverso… até o fogo mais belo que aquece um lar o pode destruir… até o rio que nos alimenta nos pode afogar… Não há meias medidas, por enquanto... Sou uma balança em busca de um ponto de equilíbrio.