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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Pedro dos Santos – o meu reflexo



Olho em volta… O que vejo? Uma casa de espelhos. A cada passo que dou vejo um eu diferente, um eu que não imaginava existir. Vivo de momentos e cada momento levado pelo estado de espírito que o transforma. Vejo-me aqui, ali, mais longe, mais perto, vejo-me ganhar, perder, conheço-me e perco-me novamente… cresço, evoluo, construo-me em mim e sou quem Tu vês… Por vezes duro, altivo, senhor do meu nariz, sem qualquer réstia de dúvida sobre quem sou ou o que quero fazer… Fraquezas, fraquejar seria mostrar o contrário, seria dar a conhecer o meu reflexo.


Carlos é o meu nome. Decidi nomear também o meu reflexo: Pedro dos Santos. É o lado que não mostro cara-a-cara, aquele que está escondido por detrás da porta e que não pode sair a menos que seja convidado, são os meus medos e inseguranças, é a outra metade de mim.


Aqui não fala ele, Carlos, aqui ele é convidado, não entra sem autorização, o que lês faz parte do meu mundo, aqui me apresento:


Chamo-me Pedro dos Santos, bem-vindo ao meu espaço.

Divagar dentro de mim



Tenho-te preso, acorrentado, amordaçado… tenho-te escondido e esfomeado… tenho-te envolvido em sentimentos negros, em muralhas de pedra fria… tenho-te mergulhado em ti, em pensamentos maus que não te dão esperança, em duras realidades que existem ou que crio para que a luz não brote em ti.


Vejo-te rodeado de espinhos… espinhos que apertam e que por vezes te fazem sangrar… Vejo-te ganhar força e começar a trepar do fosso onde te escondi… Vejo-te mergulhar de novo empurrado pela escuridão que me envolve.


Cheiro o teu medo, a tua angústia, a vontade de renascer… mas enveneno-te, não te deixo ver o que é, deturpo o que poderá ser e mato o que de real existe.


Não podes voltar a dominar, não podes voltar a ficar livre, robusto e fazer o que te diz o mundo e não a cabeça, deixar-te levar por momentos e deslizes… por toques que mostram algo que não é sentido.


Ainda vejo o verme que te corrói, e te bloqueia… o verme viscoso e nojento que atormenta cada dia de paz, cada noite de sossego… horas, minutos, segundos de fraqueza que o alimentam.


És meu, o meu coração… Quero-te livre, mas como eu quero. Não te deixes levar por palavras, não te deixes levar por emoções enganadoras… Não oiças histórias que te aquecem e te encarnam, te fazem jubilar e festejar. Pondera, Avalia e Age.


És gelo puro gelo. Não te derretas com incêndios… fogos de vista… Aguarda as brasas e deixa-te levar calmamente.

O Castelo






O castelo embrenhado na escuridão da história, aloja da natureza mais bela que possamos imaginar… pequenas lebres que correm velozmente pelos campos e esquilos esguios que atravessam a floresta num ápice recolhendo comida; animais rastejantes, esvoaçantes… todos em harmonia na sombra tépida das muralhas rígidas.



Mas o que os olhos vêem não é tudo o que existe…



Num dos quartos mais altos vivesse um efervescente caso de amor.



No sono profundo imagino-te com a pele morena, branca pela luz que banha cada centímetro do teu corpo… os teus lábios tombados sobre a minha pele sussurrando palavras incompreensíveis ao ouvido, inexplicáveis ao coração… o toque quente das tuas mãos que provoca arrepios em cada centímetro do meu corpo, tocando levemente em cada poro, que se relaxa e se entrega a cada respiração. Sinto os odores no ar que se misturam, as flores que balançadas pelo vento lançam a sua fragrância numa música campestre e os rancos das árvores que murmuram pedaços de história que ouvimos enquanto nos perdemos na imensidão de nós mesmos. Em suaves movimentos os corpos movem-se ao sabor da brisa que os orienta numa melodia inaudível. O calor que emanamos mistura-se com o frio da noite, deixando o ar tépido e convidativo. As nossas bocas encontram-se… trocam segredos que só a nós dizem respeito e que, sem mesmo sussurrar, penetram a nossa mente e abrigam-se no nosso coração. Separam-se as nossas confissões que exploram o esculpido corpo que se entrega…



O sono profundo e calmo começa a ser perturbado por sensações imperceptíveis… a respiração linear começa a trotear e a aparente calma de uma noite de Verão, agita-se a cada segundo… A noite avança… lenta e agradavelmente… o quarto vai ganhando vida a cada suspiro libertado.