O sol que me aqueceu naquela noite arrefeceu nos dias que se seguiram, a neblina foi baixando e ficando mais intensa, cobrindo o olhar… obscurecendo os sentimentos. Os abraços que os teus lábios davam aos meus, abraços ardentes, apaixonados, sedentos de prazer, perderam-se no nevoeiro, gelaram, repudiaram-me. O sorriso que iluminava o meu dia-a-dia, por vê-lo em ti ou na minha memória, rasgou-se em mil e uma palavras de indiferença. Deixei de sentir o teu coração nos meus braços que outrora te prendiam e protegiam. Hoje estão nus, vazios, desertos. Quero acreditar que o destino está escrito mas pode ser emendado, que o que me mostras são ilusões do Fado… Vejo-te em todo o lado mesmo quando não estás, oiço-te sussurrar no meio da multidão, sinto-te comigo quando te afastas, beijo a tua alma a cada segundo que escorre por entre os dedos… Volta.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
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Pedro dos Santos
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9/23/2008 09:57:00 p.m.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Arrependimento
Se arrependimento matasse… Morrerias. Morrerias pelos beijos longos e sentidos que trocamos, Pelos abraços apertados e únicos que se seguiram. Morrerias pelas lágrimas de dor do passado que deslizaram. Lágrimas que me aqueceram a alma e me fizeram ver que é a ti que quero, Morrerias pela união dos corpos num ritmo louco, lindo e sincero. Morrerias porque disseste que poderia ser teu um dia e um dia não o serei Arrependimento não mata… mas mostra que ao deixar-te partir… Errei.
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9/18/2008 02:53:00 a.m.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Menino pequeno, só e abandonado Que me agarra a mão com fervor e dedicação Criança de rosto apaixonado Por um mundo de duas caras e ilusão Recebes doces que te conquistam E iluminam o olhar Para depois receberes coices que te despistam E te deixam sem saber em que acreditar Desliga a alma das luzes do mundo Que devoram a tua pureza Evita outro corte profundo Sê forte! Luta contra a tua natureza Não me largues a mão menino teimoso! Não espreites o que te rodeia Refugia-te no meu abraço zeloso Até seres Homem crescido e lutares pelo que o teu coração anseia.
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5/22/2008 10:29:00 p.m.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Paredes brancas que me rodeiam sujas de escárnio e maldizer Telas frias e sem sentimentos, pálidas de mágoa e desprazer Oprimem, esmagam e matam sonhos e esperanças Aqueles porque lutas e nunca alcanças. Parasitas medonhos que te transformam numa mancha do asfalto Que te encorajam e te fazem crescer para te atirar lá do alto Te arrastam em jogos de prazer mundano ininterrupto Onde as paredes brancas e frias estão agora, por ti, negras e de luto.
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5/21/2008 09:19:00 p.m.
O soalho chiava a cada passo inseguro, precipitado na ânsia de chegar até ti. Cada passo trazia consigo uma peça do puzzle da memória, um pouco de história, peças sem sentido que não se uniam, onde o sentimento de desejo e paixão não encaixava no de amizade, um puzzle perdido em toda a sua complexidade. Peguei em peças desnorteadas que pairavam na minha mente e olhei-as com atenção, como quem não as vê apenas as sente. Umas estampadas com pedras rudes mas belas, outras com jardins verdejantes e sombrios, braços entrelaçados, corpos unidos no nada. Distraí-me, o soalho quebrou debaixo do meu pé com um estrondo medonho, fiquei preso nestas memórias que me assolam. O ar húmido que me rodeia e invade gela-me a pele, estou vazio com pensamentos plenos de incerteza que me enfraquecem e me obscurecem o olhar, agora cinzento. O tempo troteia passando por mim enquanto me tento libertar e sangro… o soalho cede, o pé liberta-se e sigo cambaleando, tentando recompor-me de mais uma ferida aberta. Agora estou atento ao caminho que percorro e não tento juntar peças sem sentido, não quero meter-me em solos estranhos onde me posso magoar ou ficar completamento perdido.
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5/21/2008 09:11:00 p.m.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Ressacado
Recosto-me na cama fria ressacado… anseio beber do teu cálice de beijos fartos, do teu alguidar de abraços sem fim. Tremo ao pensar no cheiro que desejo, no cheiro que preciso em mim para que a noite acalme esta angústia de não te ter. Em leves mas longas respirações te sinto, o ar que me aquece a mente, pelos teus olhos de chama ardente, que me envolvem, que me fazem cada vez mais tremer, não de medo, apenas por não os ter. Em volta o vazio do teu corpo, dos teus cabelos fortes, dos teus caracóis perfumados preenche a minha mente e faz-me agarrar o vento, a ti devo o meu desalento…. Palavras sem sentido que se libertam descrevendo pudicos momentos, carinhos violentos, paixões ardentes descontroladas que me trazem bruscamente á realidade… Continuo recostado, debruçado sobre os meus joelhos agarrando-os suavemente, baloiçando agora ao sabor da música melancólica que toca na rádio... tento deixar-me levar e adormecer… Talvez a noite vingativa te traga num sopro de loucura.
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2/26/2008 03:11:00 a.m.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Banhos de Lua gélidos que me queimam o peito e ferem a alma. A luz ofuscante da noite sombria que irrompe em mim e rasga, destrói, espezinha. Pensamentos fora do contexto e da existência, do que é, foi ou virá a ser, nada faz parte da minha essência são apenas colagens e invenções que me levaram á demência.
Céus cuja beleza aprecio, cego, fraco e vazio… onde encho o peito de luar, o veneno puro e cristalino que alimenta a alma negra e chamuscada… tantas vezes dilacerada para no final se recompor… para a cada dia voltar a perder a sua cor…
Os dias não me animam apenas ruminam… doce e lentamente apreciando o quebrar de cada defesa… o sibilar da minha tristeza, presa no corpo que me suporta. São apenas páginas de um livro corrompido, sujo e desinteressante… São apenas folhas queimadas desajeitadamente de rompante… sem importância me olhas, sem amor me relês… nas minhas páginas falo de ti, canto para ti, desenho para ti… só tu não o vês…
Rodeado de gritos de dor e prazer que a imaginação teima soprar nestes olhos que já não sentem, sigo o caminho traçado porque quem manda não é a Razão, essa é outra mentira criada para encobrir as tramas do infame, o dito Coração.
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2/24/2008 01:33:00 a.m.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Fénix
Sinto o teu cheiro no ar, o teu corpo nos meus braços, a tua respiração no meu corpo. É a lua que não nos deixa dormir por horas a fio, sem limites… és tu afinal que não o permites. Gravo cada segundo de beijos passados, beijos por fim amargurados na alegria de quem os dá sem o querer… Rebobino imagens do passado, ainda presente mas esmorecido, daqueles toques ardentes que me queimam e me perseguem… és solidão que me acompanha, que me toca, que me provoca e me seduz… estou sedento de ti pelo que digo, pelo que faço… ai o que deixo de fazer, o que deixo de viver para por fim… sobreviver… Queimo vezes e vezes sem conta o teu nome, escrito em finos papiros de memória e aprecio as cinzas… papiros atrás de papiros… é um fogo que não se extingue… um fogo que me devora. Gota a Gota… um suor ininterrupto de luta inconstante, de lágrimas de sangue decadentes… de quem vê o inevitável e não corre na direcção oposta…
Não fujo de ti mas luto contra a Fénix em mim, para que um dia não voltes a nascer das cinzas.
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2/21/2008 03:27:00 a.m.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Desabafo
Caminhos perdidos por estradas de luz e puro calor onde o sol esfria o desejo carnal e a chuva aliada ao vento ressaltam os sentimentos cruéis quentes e alucinantes, são momentos… fracções de tempo interrompidas por soluçares de prazer e do ardor da pele… contra a pele… de carne contra carne. Olhos alucinados que se perdem em pensamentos constantes em momentos de pura irracionalidade e sentimentos confusos que se afogam em pequenos lagos de remorso e torturam… lentamente corroem, docemente matam. Verdades ditas e confirmadas, repetidas libertando a mente de confusões, prendendo o corpo à podre rivalidade da figura que se impõe, que se cruza e descruza que luta em jogos, jogos pudicos de tesão e faz de conta, de tudo o que empurramos e tentamos aproximar… de outras pessoas que nos envolvem mas não nos protegem, não nos dão a atenção necessária. Perdemo-nos em encruzilhadas de caminhos sem saída que levam a locais que não imaginamos e não queremos voltar a presenciar, são bons mas quando acabam trazem consigo a dura realidade de continuarmos perdidos… Hoje vivo para me perder, amanhã… espero encontrar-me.
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2/03/2008 06:21:00 p.m.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Coração de leão
Por vezes na vida levamo-nos a fazer coisas que não imaginávamos… que nos magoam, pior… que magoam outros… por vezes levámo-nos a perdermo-nos em prol de outros… porque os magoamos porque os fizemos sofrer. Por vezes queremos tanto quem nos quer que não vemos mais ninguém… por vezes perdemos o rumo por procurar a corrente errada, ou simplesmente porque a corrente certa é muito atribulada. Por vezes deixamos que nos calquem porque erramos, por vezes cedemos demasiado pela mesma razão. Quando gostamos muito de uma pessoa ceder não é ser submisso, dar de nós não é dar demasiado. Quando gostamos de alguém não nos importamos de ser jogados um pouco… quando erramos não nos importamos de ser lixo… para que um dia possamos ser reciclados e voltemos a ter importância… Como tudo na vida é lógico apenas o amor segue um código seu… Tens um coração forte, um coração de leão… mas doce… Não deixes que te espezinhem… não deixes que te magoem e te levem a ser quem não és… Corrige o teu erro, faz o que sentes, segue o que te diz a voz da razão e o eco do teu coração mas não deixes a tua essência, nunca. Não me obrigues a apanhar destroços de ti, estou aqui para suportar o teu peso quando te deixares cair e para ser aquele que te ajuda a levantar… Coração de leão, leve e frágil… mas sempre um grande coração.
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2/02/2008 10:16:00 p.m.
Memórias
Escuro, o escuro… refugio-me em lençóis de memórias que me cobrem a face e me aquecem… memórias escuras, memórias luzidias, melancólicas e reconfortantes. Histórias que pareciam ter sido apagadas na teia do tempo, entre fios de mentiras e linhas de desentendimentos… mas todos momentos a recordar, todos deixaram saudade. Momentos importantes que um dia me foram ditos mentira e que hoje começo a duvidar… talvez não o tenham sido, talvez tenham sido os melhores da minha vida, acho que volto a querer acreditar neles e tirar toda a fuligem que os cobrem… que renasçam das cinzas desses momentos queimados memórias que me façam sorrir de novo. Outros momentos de ilusões, de fantasia, de intensidade que começaram e acabaram, que me magoaram pela falta de importância que sinto ter recebido, ou pela importância que me foi dada, não exactamente a que esperava e queria receber. Hoje a amizade que existia enfraqueceu, quase ao ponto de quebrar se é que ainda não quebrou… dizes que não, eu sinto que da minha parte não, mas não tenho aquele impulso de te contactar como antes… nem tu a mim… Mas os momentos ficam com a sua magia e continuam a viver no seu tempo… a sustentar-se por si mesmos. A mente relembra do mais antigo ao mais recente… coisas que aconteceram e, talvez, não devessem ter acontecido… o arrependimento, por vezes não "mata" quem se arrependeu mas sim quem não o fez e tem de ver o outro sofrer por isso. Relembro a lua que não deixava dormir, os toques leves que acordavam a cada minuto, as horas que se passavam entre conversas sérias e abraços delicados, até que nos perdemos em beijos, em confidências maiores, em olhares profundos que me despem, por isso os evitava… sei que gostas de mim, eu sei… não podes mentir quanto a isso… mas sei também que não foi a mim que escolheste. Nas minhas memórias fui capaz de me desprender do mundo em que as vivi, porque acabaram em mentiras deturpadas ou em confusões de sentimentos sem sentido… Hoje tenho uma tarefa que me corrói sempre e mais, tenho de viver as memórias claras como água e transparentes como ar… o que é sempre foi, sem surpresas ou subterfúgios. Viver a verdade custa mais do que esquecer uma mentira…
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2/02/2008 09:17:00 p.m.
Crescer
Um homem encontra uma mulher… a união perfeita leva a um final ideal. De lutas e desafios durante noites persistentes, de amor e dedicação algo brota e cresce, fruto de ambos… começo a formar-me, começo a ter corpo, partículas dele e dela juntam-se em mim… a minha alma é ainda um pequeno pedaço de cristal, frágil e dependente.
Nasço. Frágil, indefeso… preciso destas figuras que me miram e admiram, pelos meus olhos ou pelo nariz parecido com o dela, alguém a quem chamam "mãe"… oiço sons que não entendo mas são calmos, transmitem-me paz e calma… a alma está quente, crio hábitos e manias, uma personalidade que se começa a moldar já em tenra idade.
Anos e anos a fio… de amor e dedicação, uma educação moldada á imagem deles tal qual um dia foi a minha figura dentro dela… mas chega a altura… o cordão umbilical cortou-se, já não sigo o que queres ou achas melhor, já não oiço o que me dizes como ordens ou imposições, são apenas conselhos, sugestões que posso ou não aceitar.
Sigo o meu dia-a-dia e vejo as tuas garras que me prendem, me sufocam, me envolvem e enganam, não porque me queres mal mas porque achas que o melhor para mim é o que te fizeram, é o que viveste mas não vivemos a mesma vida, não temos as mesmas opções.
Vejo que me cortas as asas pouco a pouco, numa tentativa de não me deixar voar, fá-lo de uma modo tal que não me apercebo até ver as portas fechadas e não poder voar para alcançar aquela janela que me daria uma oportunidade.
O local que um dia foi o meu refúgio é hoje o meu campo de batalha, em vez de me deixar levar pelo que dizes porque me proteges, luto contra tudo não estejas tudo a enganar-me. A minha personalidade, o meu "EU" tem de se impor, as decisões da minha vida têm de ser as minhas porque um dia poderei rejubilar-me delas ou arrepender-me mas porque as tomei eu e não vocês por mim.
Amo-vos, sei que me amam, mas libertem-me destas jaulas que não me prendem mas me impedem de avançar. Quero pensar por mim, por favor, ajudem-me a ser "EU" não o sejam por mim.
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2/02/2008 08:54:00 p.m.
Pedras
"Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...". E se fores tu a pedra no caminho de alguém? Deixas-te rebolar pelo sabor do vento que te coloca bem na frente do pé de quem gostas para que tropece, ou te afasta para longe porque a brisa está contra ti? Ou simplesmente aproveitas o pequeno declive que te transmitem e deixas-te ir pela encosta abaixo e perder-te na escuridão do abismo?
Deixas que a água te quebre de tanto bater e te transforme em areia, triste, puro pó… ou impões-te firme e resistente como uma enorme ilha que se auto-alimenta e nunca desiste de si mesma?
Se sou eu a pedra que te impede de ser feliz não quero que me guardes e construas uma parede de ossos… se sou eu a pedra que te faz tropeçar quero rebolar para bem longe e afastar-me do teu caminho… se sou a ilha que queres perto para te aquecer e acarinhar, não me afastes, não desistas de mim… eu estou aqui… um dia verás isso e virás ter comigo…
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2/02/2008 08:54:00 p.m.



