Sinto o teu cheiro no ar, o teu corpo nos meus braços, a tua respiração no meu corpo. É a lua que não nos deixa dormir por horas a fio, sem limites… és tu afinal que não o permites. Gravo cada segundo de beijos passados, beijos por fim amargurados na alegria de quem os dá sem o querer… Rebobino imagens do passado, ainda presente mas esmorecido, daqueles toques ardentes que me queimam e me perseguem… és solidão que me acompanha, que me toca, que me provoca e me seduz… estou sedento de ti pelo que digo, pelo que faço… ai o que deixo de fazer, o que deixo de viver para por fim… sobreviver… Queimo vezes e vezes sem conta o teu nome, escrito em finos papiros de memória e aprecio as cinzas… papiros atrás de papiros… é um fogo que não se extingue… um fogo que me devora. Gota a Gota… um suor ininterrupto de luta inconstante, de lágrimas de sangue decadentes… de quem vê o inevitável e não corre na direcção oposta…
Não fujo de ti mas luto contra a Fénix em mim, para que um dia não voltes a nascer das cinzas.
