Escuro, o escuro… refugio-me em lençóis de memórias que me cobrem a face e me aquecem… memórias escuras, memórias luzidias, melancólicas e reconfortantes. Histórias que pareciam ter sido apagadas na teia do tempo, entre fios de mentiras e linhas de desentendimentos… mas todos momentos a recordar, todos deixaram saudade. Momentos importantes que um dia me foram ditos mentira e que hoje começo a duvidar… talvez não o tenham sido, talvez tenham sido os melhores da minha vida, acho que volto a querer acreditar neles e tirar toda a fuligem que os cobrem… que renasçam das cinzas desses momentos queimados memórias que me façam sorrir de novo. Outros momentos de ilusões, de fantasia, de intensidade que começaram e acabaram, que me magoaram pela falta de importância que sinto ter recebido, ou pela importância que me foi dada, não exactamente a que esperava e queria receber. Hoje a amizade que existia enfraqueceu, quase ao ponto de quebrar se é que ainda não quebrou… dizes que não, eu sinto que da minha parte não, mas não tenho aquele impulso de te contactar como antes… nem tu a mim… Mas os momentos ficam com a sua magia e continuam a viver no seu tempo… a sustentar-se por si mesmos. A mente relembra do mais antigo ao mais recente… coisas que aconteceram e, talvez, não devessem ter acontecido… o arrependimento, por vezes não "mata" quem se arrependeu mas sim quem não o fez e tem de ver o outro sofrer por isso. Relembro a lua que não deixava dormir, os toques leves que acordavam a cada minuto, as horas que se passavam entre conversas sérias e abraços delicados, até que nos perdemos em beijos, em confidências maiores, em olhares profundos que me despem, por isso os evitava… sei que gostas de mim, eu sei… não podes mentir quanto a isso… mas sei também que não foi a mim que escolheste. Nas minhas memórias fui capaz de me desprender do mundo em que as vivi, porque acabaram em mentiras deturpadas ou em confusões de sentimentos sem sentido… Hoje tenho uma tarefa que me corrói sempre e mais, tenho de viver as memórias claras como água e transparentes como ar… o que é sempre foi, sem surpresas ou subterfúgios. Viver a verdade custa mais do que esquecer uma mentira…
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Memórias
Publicada por
Pedro dos Santos
à(s)
2/02/2008 09:17:00 p.m.