O soalho chiava a cada passo inseguro, precipitado na ânsia de chegar até ti. Cada passo trazia consigo uma peça do puzzle da memória, um pouco de história, peças sem sentido que não se uniam, onde o sentimento de desejo e paixão não encaixava no de amizade, um puzzle perdido em toda a sua complexidade. Peguei em peças desnorteadas que pairavam na minha mente e olhei-as com atenção, como quem não as vê apenas as sente. Umas estampadas com pedras rudes mas belas, outras com jardins verdejantes e sombrios, braços entrelaçados, corpos unidos no nada. Distraí-me, o soalho quebrou debaixo do meu pé com um estrondo medonho, fiquei preso nestas memórias que me assolam. O ar húmido que me rodeia e invade gela-me a pele, estou vazio com pensamentos plenos de incerteza que me enfraquecem e me obscurecem o olhar, agora cinzento. O tempo troteia passando por mim enquanto me tento libertar e sangro… o soalho cede, o pé liberta-se e sigo cambaleando, tentando recompor-me de mais uma ferida aberta. Agora estou atento ao caminho que percorro e não tento juntar peças sem sentido, não quero meter-me em solos estranhos onde me posso magoar ou ficar completamento perdido.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Publicada por
Pedro dos Santos
à(s)
5/21/2008 09:11:00 p.m.